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CHARRETE
Uma ferramenta de inovação aberta para o desenvolvimento de projetos imobiliários 

 

 

Há cerca de dois anos, uma ferramenta que promete dar eficiência ao processo de desenvolvimento de projetos vem sendo adotada por grandes incorporadoras brasileiras. Conhecida como charrette, a metodologia é aplicada por urbanistas norte-americanos em projetos e planejamento de comunidades desde a década de 1980. A prática consiste em reunir todos os envolvidos no desenvolvimento de um produto para debater, ao longo de um período predeterminado, as soluções que serão adotadas.

 

Embora pareça simples, a charrette não é apenas uma reunião. É uma técnica, com metodologia estabelecida, usada para conduzir um processo de planejamento participativo e multidisciplinar. Por aqui, os encontros costumam durar de um a três dias, dependendo da complexidade do empreendimento.

 

O principal objetivo da metodologia é fazer com que o produto sofra o mínimo de interferências possível depois de definido. Isso porque, ao contrário do que é praticado normalmente, todas as áreas envolvidas no projeto colaboram com ideias no momento da criação do produto. Na prática, isso significa, por exemplo, que o engenheiro contratado pode avaliar se as propostas feitas pelos arquitetos são viáveis do ponto de vista técnico da obra, o que não acontece quando os profissionais são contratados e elaboram seus projetos individualmente. Com isso, o período necessário para concluir um projeto pode ser encurtado.

 

Para que a charrette consiga criar um produto com a menor incidência possível de retrabalhos, é importante que reúna todos os profissionais envolvidos no projeto. Além da equipe de projetos, como arquitetos, paisagistas, designers de interiores, urbanistas e engenheiros, as áreas comercial e de marketing da incorporadora também participam das reuniões.

 

Flexibilidade da metodologia

 

Charrettes são indicadas para o desenvolvimento de qualquer tipo de projeto. No entanto, os ganhos são maiores em empreendimentos de maior complexidade, como os de desenvolvimento urbano e de cidades. Para empreendimentos menos complexos, a participação da área comercial pode ser dispensada, trazendo agilidade para o processo, mas garantindo a discussão adequada entre os projetistas envolvidos.

 

Como organizar

 

Para que a charrette tenha sucesso é necessário todo um planejamento prévio. São as chamadas pré-charrettes, que consistem na elaboração de um briefing detalhado de tudo o que vai acontecer nos dias de reunião. Nelas, a programação do evento deve ser traçada e passada aos convidados com pelo menos três semanas de antecedência, para que todos tenham tempo de alinhar as informações e desenvolver o pré-briefing.

 

Na pré-charrette são definidos os materiais que cada profissional deverá apresentar. Entre eles, projetos, mapas, fotos, topografias, legislações, tendências de mercado etc., que servirão de subsídio inicial para as discussões.

 

Os preparativos contemplam, ainda, a definição do espaço em que a reunião será realizada. Como nas charrettes todos os desenhos são feitos à mão, a sala deve contar com mesas e material como papéis de diversos tipos e espessuras, flip charts, lápis, canetas, borrachas e post-its. Além disso, é indispensável que o espaço disponha de estrutura para retroprojetores e laptops, bem como ofereça conexão wireless estável.

 

 

Como as reuniões se estendem durante todo o dia, ininterruptamente, a organização deve prever coffee breaks pela manhã e à tarde, almoço em local próximo ou, preferencialmente, no mesmo local para evitar que o grupo se disperse. Também é importante fazer com que todos os convidados mantenham seus celulares e e-mails desligados.

 

Dinâmica da metodologia

 

No primeiro horário da reunião, é feita a leitura das regras de condução da charrette. Em seguida, começam as apresentações das encomendas solicitadas aos projetistas. No período da tarde, o projeto começa a tomar forma: os arquitetos já começam a desenhar as modificações sugeridas nas discussões feitas pela manhã e, ao final do dia, várias alternativas de desenho são apresentadas aos participantes, que podem opinar e sugerir novas opções.

 

A origem do método

 

O termo Charrette foi cunhado na Escola de Belas Artes de Paris no século 19. Naquela época, havia uma tradição que compreendia dar aos estudantes uma tarefa de projeto de difícil execução para ser desenvolvida em um período extremamente curto. Concluído o exercício, uma charrete passava pelas ruas recolhendo os projetos. Na década de 1980, o termo foi resgatado por urbanistas norte-americanos para se referir a uma nova forma colaborativa de projeto e planejamento de comunidades. Na Inglaterra, as charrettes também são conhecidas como "Inquiry by design".

Por Maryana Giribola - Revista Mercado & Construção - Link